Os principais minérios do Brasil

Mina de minério de ferro – GTReview.

A indústria da mineração é uma força importante na economia mundial, onde muitos países de baixa e média renda dependem da mesma para estabilidade econômica. Estudos do ICMM (International Council of Mining and Metals) demonstram que os ganhos com a mineração podem gerar efeitos positivos para o desenvolvimento, contribuindo para a criação de empregos, para a redução da pobreza e para um aumento da qualidade de vida.

Como visto no post Mineração no Brasil, os minérios explorados que mais se destacam no país são o alumínio, cobre, estanho, ferro, manganês, nióbio, níquel e ouro, que correspondem a 98,6% do valor de toda a produção mineral brasileira comercializada. É importante termos mais noção da importância e do cenário econômico de cada um:

Figura 01 - Alumínio. Fonte: EGA.

Alumínio

O processo industrial de obtenção do alumínio engloba três etapas principais: a extração do mineral bauxita; o refino da bauxita em óxido de alumínio: a alumina; e a transformação da alumina no metal primário alumínio. O Brasil é o décimo primeiro produtor de alumínio primário e terceiro produtor de alumina, atrás da China e Austrália.

Grande parte das reservas mundiais está localizada em regiões tropicais e subtropicais. O Brasil dispõe de excelentes reservas, que em 2017 somaram 65,4 bilhões em faturamento, distribuídas principalmente na região Norte (Pará e Amazonas), mas também nas regiões Sudeste e Sul. Segundo dados da ANM, duas empresas concentram mais de 70% da extração de alumínio no Brasil: a Mineração Rio do Norte e a Paragominas, ambas localizadas no estado do Pará

A mineração sustentável da bauxita, minério que dá origem ao alumínio, é uma prática consolidada e um diferencial da indústria no país para a competitividade global do setor. O Brasil detém grandes reservas de bauxitas e ainda possui potencial para novas descobertas e/ou ampliação de suas reservas

Principais minas: Oriximiná e Paragominas (PA).

Figura 02 - Cobre. Fonte: Telegraph.

Cobre

Devido à sua disponibilidade e condutividade, o cobre é um metal encontrado em inúmeros produtos, desde itens de consumo até automóveis. O crescimento contínuo de sua demanda mundial nos próximos 25 anos, poderá ser intensificado com a recuperação econômica mundial.

Em 2018, a demanda global por esse metal ficou em 23,6 milhões de toneladas, e a projeção para 2027 é atingir pouco menos de 30 milhões de toneladas, representando uma taxa média anual de crescimento de 2,6%. Segundo dados da ANM, duas empresas concentram mais de 70% da extração de cobre no Brasil. A Salobo Metais e a Vale, ambas localizadas no estado do Pará.

Este crescimento refere-se não somente ao aumento de consumidores, mas também à utilização de energia limpa e renovável, que exige muito mais cobre que a fontes tradicionais de energia. No Brasil, a demanda por cobre tem sido historicamente maior que a produção, mas há um grande potencial geológico para exploração de cobre em diferentes regiões do país.

Principais minas: Chapada (GO); Sossego (PA); Salobo (PA) e Caraíba (BA).

Figura 03 - Mineralização de cassiterita e hematita em camadas na mina de Zincidere. Fonte: Researchgate.

Estanho

O estanho é usado para produzir diversas ligas metálicas utilizadas para recobrir outros metais e protegê-los da corrosão, possui como principais minérios: Hematita e Cassiterita. A oferta de cassiterita e a segurança da disponibilidade de reservas econômicas do mineral são os fatores determinantes da indústria metalúrgica do estanho. Essas condicionantes estão presentes no Brasil e a produção do estanho se faz com qualidade e sem dificuldade, diante do domínio tecnológico. O Brasil é dos poucos países produtores que também é consumidor de estanho.

Segundo dados da ANM, duas empresas concentram quase 60% da extração de estanho no Brasil. A Mineração Taboca e a Coopermetal Coop Metalurgia de Rondônia, localizadas nos estados do Amazonas e Roraima respectivamente.

Principais minas: Bom Futuro (RO); Massangana (RO) e São Lourenço (RO).

Figura 04 - Minério de ferro. Fonte: Videoblocks.

Ferro

O Quadrilátero Ferrífero (QF), como o próprio nome indica, é a principal província mineral ferrífera do Brasil. É uma quadrícula localizada ao sul da cidade de Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais.

A Vale sozinha, segundo dados da ANM, concentra quase 80% da extração de ferro no Brasil e produziu, de janeiro a março deste ano, 81,9 milhões de toneladas de minério de ferro, volume que representa uma queda de 4,9% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, quando foram produzidas 86,2 milhões de toneladas da commodity.

O avanço das exportações, em meio a preços mais altos, poderá colaborar para uma recuperação esperada pela Vale no terceiro trimestre de 2019, após a companhia sofrer dois prejuízos trimestrais na primeira metade do ano, com impacto do desastre de Brumadinho.

Principais minas: 33 no Quadrilátero Ferrífero (MG); N4 e N5 (PA).

Figura 05 - Mina de minério de manganês. Fonte: Allseasongloba.

Manganês

A Vale concentra quase 50% da extração de manganês no Brasil segundo dados da ANM. Em 2017, produziu 1,4 milhão de toneladas de minério de manganês na Mina do Azul, 673.000 toneladas em Urucum e 80.000 toneladas na Mina Morro da Mina.

Com a exaustão estimada da Mina do Azul em um horizonte de 10 anos, o Brasil terá pela primeira vez um papel menos significante no mercado internacional de manganês. Na medida em que as minas de manganês forem entrando em processo de exaustão, a cotação desse bem mineral tenderá a uma valorização que, por sua vez, viabilizará jazidas de menor porte e com maior custo de produção.

Principais minas: Azul (PA); Lucas (MG); Urucum (MS), Comin (MS); Buritirama (PA); Morro da Mina (MG).

Figura 06 - Nióbio. Fontes: Revista Pesquisa, FAPESP.

Nióbio

De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), o país é responsável por cerca de 90% de toda a comercialização de nióbio no planeta, seguido com larga distância por Canadá e Austrália e cerca de 98% da reserva mundial. Grande parte dessas minas é conhecida, mas ainda não exploradas.

Segundo dados da ANM, a Niobras Mineração e a Companhia Mineradora do Pirocloro de Araxá são responsáveis por quase toda a extração nacional de nióbio.

Principais minas: Barreiro (MG) e Boa Vista (GO).

Figura 07 - Níquel. Fonte: Nickel Institute.

Níquel

Desde o início do ano, os preços do níquel começaram a subir e hoje é o metal de base com melhor desempenho de 2019. O preço do níquel atingiu uma alta de 16 meses em agosto de 2019, atingindo mais de US$ 16 mil/t na London Metals Exchange (LME). O preço subiu ainda mais nos primeiros dias de setembro, passando para US $ 18.000 / tonelada na LME.

Segundo dados da ANM, a Anglo American é responsável por quase 60% da extração nacional de níquel. O Brasil, com seus recursos e potencial geológico, apresenta condições de se transformar em um dos maiores produtores no mercado internacional desse minério.

Principais minas: Santa Rita (BA); Buriti (GO); Barro Alto (GO); Niquelândia (GO) e Onça-Puma (PA).

Figura 08 - Ouro. Fonte: ShutterStock.

Ouro

O Brasil é historicamente um grande produtor de ouro, entre o final do século 19 até o final do século 20 o Brasil liderou a produção aurífera mundial. Nos últimos cinco anos foram minerados 406 toneladas do metal precioso, segundo dados da ANM. Significa que o país produz, em média, 81,2 toneladas por ano.

Atualmente estamos em 11° lugar e com um potencial crescente, em especial em áreas relativamente pouco conhecidas da Província Carajás, Tapajós e em partes de Mato Grosso, além do Maranhão. O mesmo ocorre em regiões de conhecimento mais avançado, tais como o Quadrilátero Ferrífero.

Ainda segundo dados da ANM, duas empresas concentram 51% da extração de ouro no Brasil. A principal é a canadense Kinross, a outra é a sul-africana AngloGold. Os pequenos garimpos, por sua vez, correspondem a cerca de 10% da produção no país.

Principais minas: Fazenda Nova (GO); Aurizona (MA); Jacobina (BA); Morro do Ouro (GO); Pedra Branca do Amapari (AP); Crixás (GO); São Vicente (MT); São Francisco (MT); Santa Bárbara (MG); Sabará (MG); Cocais (MG) e Caeté (MG).

Grande potencial!

Os investimentos na mineração continuam a se concentrar no estado tradicional em mineração de Minas Gerais, mas dados do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) ilustram a importância crescente do estado do Pará como um importante destino de investimentos de mineração no presente e no futuro. Pode-se afirmar ser ainda elevado o potencial para descobertas de novos depósitos minerais brasileiros, muitos recursos minerais ainda estão por ser explorados.

Potencial mineral o Brasil possui, e grande. No entanto, o ainda baixo conhecimento geológico territorial e mesmo de nossas províncias minerais,os baixos investimentos realizados em pesquisa mineral, a legislação atual e a atratividade para investimentos em exploração mineral no país impedem um pleno desenvolvimento da mineração no Brasil.

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Fonte: adimb.jazida.com

Referências Bibliográficas

http://abal.org.br/. Associação Brasileira do Alumínio. Acesso em 19 de setembro de 2019.

http://www.anm.gov.br/. Agencia Nacional de Mineração. Acesso em 19 de setembro de 2019.

http://ccaluminio.com.br/. Centro Cultural do Alumínio. Acesso em 19 de setembro de 2019.

https://www.cprm.gov.br/. Serviço Geológico do Brasil. Acesso em 20 de setembro de 2019.

https://economia.uol.com.br/. Exportações de minério de ferro do Brasil têm maior volume desde outubro de 2018. Acesso em 20 de setembro de 2019.

https://www.gazetadigital.com.br/. Brasil extrai 406 toneladas de ouro em 5 anos e movimenta cerca de R$ 70 bilhões. Acesso em 02 de outubro de 2019.

https://horizonteminerals.com/. Horizonte Minerals. Acesso em 20 de setembro de 2019.

https://www.inthemine.com.br/. Revista In The Mine. Acesso em 20 de setembro de 2019.

https://www.noticiasdemineracao.com/. Notícias de Mineração. Acesso em 20 de setembro de 2019.

https://www.procobre.org/pt/. Instituto Brasileiro do Cobre. Acesso em 18 de setembro de 2019.