A Agência Nacional de Mineração iniciou, em 13 de abril de 2026, a Audiência Pública nº 1/2026 para discutir a revisão da regulamentação da Guia de Utilização (GU). A proposta sinaliza o reforço do caráter excepcional da GU, aumento do controle administrativo e maior rigor na compatibilização entre exigências minerárias e ambientais.
O tema é relevante para mineradoras, consultorias e titulares de direitos minerários, pois pode alterar critérios operacionais importantes para projetos ainda em fase de pesquisa mineral.
As propostas discutidas na audiência pública ainda dependem de consolidação normativa e eventual publicação oficial.
O que é a Guia de Utilização
A Guia de Utilização está prevista no Código de Mineração e regulamentada por normas como o Decreto nº 9.406/2018 e a Portaria DNPM nº 155/2016.
Na prática, trata-se de uma autorização que permite a extração de substâncias minerais antes da concessão de lavra, desde que vinculada a um processo minerário em fase de pesquisa e observadas as condições legais aplicáveis.
Ao longo dos anos, a GU foi utilizada para testes industriais, avaliação técnico-econômica, desenvolvimento de mercado e comercialização limitada da produção mineral. Por isso, tornou-se instrumento relevante para empreendimentos que ainda não concluíram o ciclo regulatório da lavra, mas já necessitam validar a viabilidade comercial do projeto, testar a aceitação do produto no mercado e estruturar suas estratégias iniciais de venda.
Saiba mais: Guia de Utilização na Mineração (GU): Como Funciona, Documentos e Substâncias Permitidas pela ANM
Por que a ANM está revisando a regulamentação da GU
Os documentos submetidos à audiência pública indicam que a ANM busca corrigir distorções verificadas na aplicação prática da Guia de Utilização ao longo dos anos.
Em termos regulatórios, a agência sinaliza preocupação com situações em que a GU teria sido utilizada além de sua finalidade original, aproximando-se, em determinados casos, de dinâmica operacional típica da fase de lavra.
A revisão também demonstra preocupação institucional com governança regulatória, uniformidade de decisões técnicas, rastreabilidade e aderência ao marco legal vigente.
Principais mudanças debatidas na Audiência Pública nº 1/2026
Licença ambiental pode se tornar requisito prévio para emissão
Um dos pontos mais sensíveis da proposta é a retomada da exigência de licença ambiental prévia para emissão da GU.
No modelo atual, a licença ambiental funciona como condição para eficácia da GU. Com a revisão, a tendência é que a licença passe a ser exigida antes da própria emissão da autorização.
Se confirmada, a mudança impacta diretamente cronogramas operacionais, planejamento de implantação e prazo de início das atividades.
Emissão da GU pode deixar de ser ato vinculado
Outro ponto relevante é a proposta de tornar a emissão da GU um ato administrativo discricionário.
Na prática, isso amplia a margem decisória da ANM na análise dos pedidos. O cumprimento formal de requisitos documentais tende a deixar de ser o único fator determinante, elevando a importância da consistência técnica, da justificativa econômica e da robustez das informações apresentadas.
Reforço do caráter excepcional da Guia de Utilização
A audiência pública também reforça a interpretação de que a GU deve permanecer como instrumento excepcional e vinculado à fase de pesquisa mineral.
Isso indica uma tendência de restringir o uso da autorização como mecanismo operacional contínuo, reforçando a separação entre pesquisa e lavra.
Maior governança e rastreabilidade
Outro eixo claro da proposta é o fortalecimento da governança regulatória.
A tendência é de maior exigência sobre qualidade documental, justificativas técnicas, histórico processual e capacidade de fiscalização por parte da agência.
O que muda na prática para mineradoras e consultorias
Caso a proposta avance, operações que utilizam a Guia de Utilização como etapa relevante do desenvolvimento mineral deverão se adaptar a um ambiente mais criterioso.
Entre os principais impactos potenciais estão a necessidade de antecipar tratativas relacionadas ao licenciamento ambiental, apresentar pedidos tecnicamente mais robustos, lidar com menor margem interpretativa e atender a análises administrativas mais rigorosas.
Empreendimentos que dependem da GU para validação comercial do projeto ou para apoiar sua estruturação econômica poderão sentir reflexos em prazo, fluxo de caixa e estratégia de implantação.
Alternativas regulatórias para substâncias utilizadas na construção civil
Durante a audiência pública, também houve sinalização de que, para substâncias enquadradas no regime previsto na Lei nº 6.567/1978, como agregados para construção civil e determinadas rochas ornamentais, pode ser recomendável avaliar o Regime de Licenciamento como alternativa regulatória, conforme as características do projeto e o objetivo operacional pretendido.
Essa alternativa ganha relevância diante do cenário de maior rigor na concessão da Guia de Utilização e possível ampliação do poder de decisão administrativa da ANM. Nesses casos, a definição do regime minerário mais aderente à substância, ao estágio do empreendimento e à estratégia comercial tende a se tornar ainda mais importante.
Como empresas podem se preparar para as mudanças na Guia de Utilização
A revisão da Guia de Utilização consolida uma das discussões regulatórias mais relevantes do setor mineral em 2026. Mais do que alterar procedimentos administrativos, a proposta reposiciona o papel da GU dentro do ciclo minerário, reforçando seu caráter excepcional e ampliando o nível de exigência sobre sua concessão.
Para mineradoras, consultorias e investidores, acompanhar a evolução da norma e antecipar adaptações operacionais será essencial para reduzir riscos e preservar competitividade nos próximos ciclos de investimento.
Em um cenário de maior exigência regulatória, empresas que buscam previsibilidade operacional e resposta rápida às mudanças normativas encontram no Jazida.com um aliado estratégico.
No módulo minerário, é possível acompanhar processos, visualizar prazos críticos, monitorar movimentações processuais e estruturar a gestão de ativos com maior rastreabilidade e previsibilidade.

Já no módulo ambiental, equipes conseguem organizar licenças, condicionantes e obrigações ambientais, reduzindo riscos de desalinhamento entre o avanço minerário e as exigências ambientais que impactam instrumentos como a Guia de Utilização.

Com visão integrada entre frentes minerárias e ambientais, a plataforma transforma informação dispersa em inteligência aplicada à gestão, elemento decisivo para empresas que buscam competitividade, previsibilidade operacional e segurança regulatória.

FAQ: Guia de Utilização (GU) e a revisão debatida pela ANM
Para que serve a Guia de Utilização?
A GU costuma ser utilizada para testes industriais, avaliação técnico-econômica, desenvolvimento de mercado e comercialização limitada da produção mineral durante a fase de pesquisa.
A Guia de Utilização substitui a concessão de lavra?
Não. A Guia de Utilização possui natureza distinta e caráter excepcional. Ela não substitui a concessão de lavra nem altera a necessidade de cumprimento das etapas regulatórias exigidas para exploração plena do empreendimento mineral.
O que a ANM está debatendo na Audiência Pública nº 1/2026?
A Agência Nacional de Mineração debate a revisão da regulamentação da GU, com foco em reforço do caráter excepcional do instrumento, maior rigor na análise administrativa e compatibilização entre exigências minerárias e ambientais.
A norma da Guia de Utilização já mudou?
Não. As propostas discutidas na audiência pública dependem de consolidação normativa e eventual publicação oficial para produzirem efeitos.
O que significa transformar a GU em ato discricionário?
Significa ampliar a possibilidade de avaliação técnica e administrativa da agência no momento de decidir sobre o pedido, indo além do simples atendimento formal de requisitos documentais.
Quem pode ser impactado pelas mudanças na GU?
Mineradoras, consultorias, investidores e titulares de direitos minerários com projetos em fase de pesquisa mineral tendem a ser diretamente impactados.
ANM abre Tomada de Subsídios nº 01/2026 para elaboração do novo Plano de Dados Abertos
A Agência Nacional de Mineração abriu a Tomada de Subsídios nº 01/2026 para a elaboração do novo Plano de Dados Abertos (PDA), referente ao período de 2026 a 2028. A consulta busca identificar o grau de relevância das bases de dados da ANM ainda não disponíveis, considerando o interesse
Como encontrar oportunidades em lítio, níquel e terras raras no Brasil
A transição energética global tem impulsionado o interesse por minerais estratégicos essenciais para tecnologias de baixo carbono, eletrificação e indústria de alta performance. Veículos elétricos, turbinas eólicas, baterias avançadas, dispositivos eletrônicos e sistemas de armazenamento dependem diretamente de três protagonistas da nova economia mineral: lítio, níquel e elementos terras raras
Oportunidades e desafios do Setor Mineral Brasileiro
Os desafios sempre foram motores de transformação na mineração brasileira. Entender como o setor evoluiu e o que originou os obstáculos enfrentados atualmente é essencial para delinear caminhos que transformem esses desafios em novas oportunidades para o desenvolvimento mineral no país. O novo ciclo da mineração brasileira Diante de um